quinta-feira, 8 de março de 2012

Mulheres no poder

Muitas conquistas e espaços para ocupar

Apesar da conquista da Presidência, participação feminina na política ainda é pequena

Pode parecer um ato “normal” uma mulher atual se candidatar e conquistar um espaço no poder, como vereadora, prefeita, deputada… Aos olhos do recente século 21, fica difícil enxergar uma realidade tão adversa como os direitos femininos na Primeira República (1889-1930). O sexo feminino não era considerado um sujeito de direito, não poderia votar nem ser votado. Enfim, uma série de “nãos” e recusas de uma sociedade machista. Mesmo hoje, quando as mulheres comemoram a chegada de Dilma Rousseff (PT) à Presidência como ato simbólico da “igualdade” de direitos entre os gêneros, a cena política mostra uma realidade difícil. No Recife, por exemplo, dos 37 vereadores, apenas 4 são mulheres.

Apesar de pouco conhecida pelo grande público, o movimento feminista em Pernambuco lutava desde o final do século 19, entre outras bandeiras, pelo sufrágio feminino, é rica em detalhes e personagens vibrantes. Naquele período, o estado contou com presenças marcantes, como Edwiges Sá Pereira e Martha Hollanda, num movimento “rebelde” nos tempos da Belle Époque. Uma organização, a Federação Pernambucana para o Progresso Feminino, em 1931, teve reconhecimento nacional, produzindo publicações de artigos e manifestos em jornais.

Aliás, como mostra uma recente pesquisa do departamento de história da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), o Nordeste foi um verdadeiro celeiro deste movimento. O Rio Grande do Norte foi o primeiro a conceder, em 1928, o sufrágio feminino. A primeira eleitora foi Celina Guimarães Viana, de Mossoró.


 Conheça as mulheres que exercem posição de destaque na política pernambucana: http://www.diariodepernambuco.com.br/politica/materias/2012/mulher_e_politica.shtml

“O caso do direito do voto feminino, no Rio Grande do Norte, antes da Era Vargas, é um exemplo disso. Existe uma versão de que estes direitos foram dados de forma benevolentes por Vargas, em 1932, mas as mulheres se articulavam politicamente”, argumenta a professora de história da UFRPE, Alcileide Cabral, que pesquisa sobre as feministas em Pernambuco no começo do século 20, com apoio do CNPq e da Facepe.

Estas e outras histórias podem gerar um sentimento de identidade e até impulsionar a entrada das mulheres na política. Basta lembrar que, além destas duas feministas, que pressionaram Vargas pelo direito do voto, Pernambuco contou com Adalgisa Cavalcanti que, em 1947, se tornou a primeira mulher eleita na Assembleia.

Fonte: Diario de Pernambuco

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