Salários do Nordeste com tendência de alta
Especialistas apontam recuperação salarial de executivos da região frente aos valores do Sudeste
Os salários dos executivos nordestinos são menores que os de executivos do Sul do país. Isso é fato. Enquanto no Sudeste, os altos cargos de gestão são remunerados com salários entre R$ 45 mil e R$ 50 mil mensais, e no Sudeste, entre R$ 30 mil e R$ 35 mil, no Nordeste o salário gira em torno de R$ 25 mil, segundo a líder da Hays Executive no Brasil, multinacional recrutadora de profissionais para cargos de alta gestão, a paulista Cynthia Rejowski. Especialistas em RH do Sudeste e do Nordeste, porém, concordam em um ponto: a tendência é que os salários se equiparem entre as regiões. E isso dentro de cinco a dez anos. Uma das explicações para os maiores salários no Sudeste do país é o alto custo de vida da região. Gastos com refeição e moradia são consideravelmente maiores em estados como São Paulo. Outro ponto diz respeito às próprias características da economia nordestina. “No Nordeste, há uma forte presença de empresas familiares, onde os membros da família ocupavam os cargos de gestão, diminuindo a demanda por executivos profissionais”, conta a líder da Hays. A situação, no entanto, tem mudado: “Essas empresas cresceram bastante, mas com as novas demandas do mercado, elas têm se reiventado e profissionalizado seus cargos de gestão”.
Com o desenvolvimento progressivo da economia nordestina, que atinge taxas de crescimento maiores que as nacionais, regada por investimentos estrangeiros de empresas multinacionais, não há dúvida de que os salários por aqui vão aumentar. “Até porque os salários não são definidos de acordo com a localidade, mas com demanda do mercado”, argumenta a diretora da Dimensão Consultoria, empresa de RH pernambucana, Edilza Guimarães.
E a equivalência de salários é mais que justa, na opinião dos analistas, pois os gestores daqui não ficam atrás dos sulistas. “Acredito que os executivos nordestinos são até mais qualificados que os do Sudeste. A qualidade de vida no nordeste é boa, as escolas e universidades também. Além disso, vocês têm mais tempo para estudar”, opina Cynthia. Edilza aponta entretanto que, apesar de não ser comum, algumas empresas do Sudeste ainda mostram algum preconceito em relação aos executivos da nossa região.
“Algumas empresas podem ainda não ter ideia de que somos tão bem preparados. Porém, elas sempre se surpreendem quando encontram os profissionais excelentes que temos”, diz a diretora pernambucana. Cynthia discorda: “as empresas se preocupam com o perfil do gestor, não com a região de onde ele vem”. A líder da Hays acredita que a médio e longo prazo os salários devam se igualar nas regiões.
E aí o jogo vai virar: poderá ser mais vantagem ser executivo no Nordeste do que no Sudeste, já que o custo de vida por aqui é menor e a qualidade de vida maior. É esperar para ver.
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