terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Futebol

Arruda, pão e circo

Diretoria tricolor faz da apresentação de Carlinhos Bala um evento para disfarçar a rejeição ao jogador


Um verdadeiro circo foi armado para a apresentação oficial de Carlinhos Bala no Santa Cruz, ontem, no Arruda. Presidente e vice-presidente do clube, diretores de futebol, técnico, assessores de imprensa, empresários do jogador, ex-presidentes, curiosos e muitos jornalistas. Estavam todos presentes para ver e ouvir as mesmas frases do atacante de 32 anos. O batalhão de frente, encabeçado por Zé Teodoro, “escoltava” o retorno do atleta à sua antiga casa. Em meio às boas-vindas com o clima levemente forçado para parecer bom, Bala chegou, pediu perdão por repetidas vezes sem explicar por que e fez as já conhecidas juras de amor pelo clube que o projetou.

Inicialmente, Carlinhos Bala ficará no Arruda até o fim de 2012. Seu contrato, todavia, detém cláusulas que poderão interromper o vínculo com o Tricolor antes do tempo. Sem ônus para o Santa. Resumindo: o contrato de Carlinhos é o chamado “contrato de risco”. Sinônimo para atletas que estão em baixa no mercado e estão em busca de oportunidades. “Nós fomos procurados pelo atleta e, de uma forma madura, o Santa Cruz faz uma contratação totalmente profissional para resgatar alguém que surgiu na casa e que volta pela vontade dele e nossa”, detalhou o presidente tricolor, Antônio Luiz Neto

Vigiado de perto pelo presidente da organizada Inferno Coral, Paulo César Pinheiro, que foi convidado pela diretoria tricolor a se sentar à mesa na apresentação do atacante, Bala pediu desculpas à torcida para tentar aliviar o mal-estar da rejeição imediata desde a confirmação da sua contratação. De maneira até certo ponto constrangedora, fez o que já tinha feito minutos antes: pediu desculpas. Desta vez, diretamente ao membro da organizada. Fez com os braços o gesto indicando um “T”, símbolo da Inferno Coral. Cutucou o torcedor para acompanhá-lo na encenação e sorriu para as fotos.

Testa de ferro

O técnico Zé Teodoro está mesmo confiante na volta por cima de Carlinhos Bala. Colocando a sua “cara a tapa”, o treinador coral voltou a assumir a total responsabilidade pela chegada do atleta ao Arruda. Afirmando que “o segredo do sucesso é não agradar todo mundo”, o comandante tricolor demonstrou que está mesmo convicto que está fazendo a coisa certa pelo clube. “Eu não trabalho com a emoção nem com a paixão, como o torcedor. Eu trabalho com a parte técnica e tática. Sou um treinador que eu gosto de perdoar, abrir espaço para as pessoas que querem vestir a camisa desse clube com responsabilidade. Trouxe o profissional porque ele tem personalidade, é filho da terra, chama a responsabilidade em campo. Eu assumo a vinda dele. Ele sabe da responsabilidade dele”, pontuou Zé Teodoro.

Entrevista >> Carlinhos Bala

“Todos sabem do meu amor pelo Santa”

Como se desenhou esse seu retorno ao Santa Cruz?

É uma satisfação imensa para mim voltar ao Santa Cruz. Tenho um amor e um carinho muito grandes por esse clube. Agradeço a Deus e a oportunidade que ele e essa diretoria estão me dando. Essa minha volta foi fruto de uma conversa com o Zé Teodoro, o presidente e Athaíde (gerente de futebol).

A quê você credita a má recepção da torcida à sua contratação?

De antemão, peço perdão se falei algo que foi mal interpretado. Fui mal assessorado, falei o que não devia e peço perdão se falei algo de errado. Sempre fiz amizade com as torcidas e vesti a camisa. Hoje, visto a camisa novamente do Santa Cruz e vou defender o clube. Nunca esqueci a torcida daqui.

Como você está encarando essa volta “por baixo” ao Santa?

Na minha vida nada foi fácil. Estou aqui para trabalhar e espero que o torcedor acredite em mim. Quero dar a volta por cima dentro de campo. Quando estava aqui, em 2006, não queria nem ter saído, queria ter feito um vínculo com o clube. Mas aconteceu, tive que sair, isso é passado.

E a responsabilidade de ter a sua contratação bancada por Zé Teodoro?

Desde pequeno que sofro com as responsabilidades da vida. Esta é só mais uma. Desde os 16 anos botei na minha cabeça de ser uma pessoa responsável e agora não é diferente. Tenho dois filhos e sei o que tenho obrigação de fazer na minha vida. Conheço bem o significado de responsabilidade.

Fonte: Diario de Pernambuco

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