sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Política

O diálogo, um ano depois

Em busca de apoio para o projeto de reeleição, João da Costa admite que falhou na questão política

Correndo contra o tempo para conseguir o apoio dos caciques da Frente Popular e consolidar seu projeto de reeleição, o prefeito do Recife, João da Costa (PT), teve que se render e baixar a guarda em busca dos votos dos aliados. Num tom de humildade e diante do senador Armando Monteiro Neto (PTB), o prefeito reconheceu que a condução do processo político no Recife não está boa porque faltou diálogo de sua parte, não apenas com os petebistas, mas também com os outros partidos da base aliada.

“Priorizei no terceiro ano de mandato a gestão. Podia ter tido um diálogo mais frequente. De nossa parte, não é problema de forma alguma em reconhecer o déficit de diálogo político. Meu desejo é recompor esse diálogo”, enfatizou o petista, às vésperas de mais uma campanha eleitoral. Mesmo com o gesto de reaproximação, João da Costa tem um adversário implacável que se chama tempo.

Como começou tarde sua “peregrinação”, pode ser que o petista não consiga superar o problema e recuperar o tempo perdido a ponto de conseguir a “façanha” de ser o candidato único da Frente Popular. “Meu desejo é acelerar esse processo. Às vezes a gente aprende com os mais experientes. Problemas e queixas são para serem resolvidos. Não posse dar murro em ponta de faca. Se há críticas posso respondê-las e o melhor caminho é ter o diálogo”, argumentou.

João da Costa fez questão de passar um clima de harmonia no encontro com Armando Monteiro. Um dia antes de se reunir com o petebista, o prefeito disse que não iria ao escritório político do senador com o objetivo de convencê-lo a apoiá-lo ou apoiar o PT, mas para avaliar o processo político. “Não há tensionamento. Continuo a defender a busca da unidade da Frente (Popular)”, afirmou.

Por outro lado, o senador se mostrou satisfeito com o reconhecimento público do prefeito de que falhou no quesito diálogo com os aliados. “A gente reconhece com um gesto dele em iniciar o diálogo com o PTB. João da Costa fez uma espécie de autocrítica em reconhecer que houve um déficit de interlocução. Ele teve a disposição de revelar isso e priorizar o diálogo”, comentou o senador.

Apesar da política de boa vizinhança aparentemente estabelecida, Armando manteve a tese de defender múltiplas candidaturas na frente. “Temos a compreensão que nesse momento o melhor é caminhar com mais de uma candidatura. Pode ser com um candidato do PTB ou de outro partido da frente. É importante oferecer nomes”, defendeu o senador e acrescentou. “Temos responsabilidades comuns. Num segundo turno estaremos juntos”, afirmou. O prefeito, por sua vez, disse que considerava legítimas a tese de múltiplas candidatura do PTB, mas continuaria trabalhando para que isso não acontecesse.


Fonte: Diario de Pernambuco

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