terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Política

Todos à espera de Eduardo

Fontes asseguram que governador quer João da Costa, mas aliados defendem múltiplas candidaturas

Insatisfação, base de sustentação dispersa, surgimento de candidaturas múltiplas, rejeição popular, divergências internas… essa é a situação vivenciada pelo prefeito do Recife, João da Costa (PT), na perspectiva de sua reeleição, segundo a avaliação dos aliados. O questionamento sobre se é possível reverter esse cenário, não é respondido com segurança mesmo pelo PT, que, dividido, ensaia o lançamento de prováveis substitutos. Por isso mesmo, a base atribui ao governador Eduardo Campos (PSB) o status de único capaz de referendar o gestor petista.

A perspectiva desagrada a muitos aliados, mas fontes palacianas asseguram que o governador já abraçou essa ideia e, no momento certo, “tomará as rédeas da situação e unirá a desunida Frente Popular de Pernambuco” em torno de João da Costa, o único entre os prefeituráveis do PT que não ofereceria risco ao projeto do PSB de manter o governo do estado, no pleito de 2014.

Os aliados reclamam. Para o vereador Sérgio Magalhães (PSD), é a postura de João da Costa que o distancia da base. “Ele (o prefeito) só está preocupado em ser candidato e não em unir a frente. Então, a frente também não irá se preocupar com ele”, comentou. De acordo com Magalhães, o lançamento da candidatura do presidente estadual do PSD, André de Paula, depende do tempo de televisão que a sigla terá. Se for suficiente para divulgar as propostas, o petista terá mais um adversário.

O deputado federal e pré-candidato à Prefeitura do Recife, Carlos Eduardo Cadoca (PSC), não consegue nem acreditar que o governador aceitará essa missão, quanto mais em falar em recuo de postulações. “Prefiro trabalhar com o cenário de múltiplas candidaturas na base, que nada mais é que fruto da incapacidade política de quem está à frente do processo”. Cadoca lembra que o presidente estadual do PT, Pedro Eugênio, credenciou João da Costa para ser o coordenador e articulador da sua reelição, mas o petista não “consegue fazer”. O gestor também não terá o apoio do PTB do senador Armando Monteiro, que deve lançar Silvio Costa Filho como candidato.

“E já está certo que ele (João da Costa) é candidato, é? Então ele esqueceu de combinar com o PT. Sim porque eu posso dizer que sou rei, mas tenho que ao menos comunicar aos meus súditos.” Foi assim que o vereador Alexandre Lacerda (PRTB) reagiu à discussão sobre as eleições municipais. Segundo ele, seu partido tem 99% de chance de ter candidato, mas reconhece o peso político que o governador tem. “Acho que com o apoio do governador ele melhora muito. Quem não joga não tem torcida, não é? Por enquanto ele tem muita torcida contra”, disparou.

Saiba mais

Múltiplas candidaturas da base

PTB - Silvio Costa Filho
Em 2011 entregou as secretarias e passou a adotar uma postura crítica à gestão municipal

PDT - Paulo Rubem Santiago
Há anos disputando a Prefeitura de Jaboatão, agora se apresenta como pré-candidato do Recife

PSB - Fernando Bezerra Coelho
Transferiu o título para o Recife e consequentemente ficou subentendida sua pré-candidatura

PSC - Carlos Eduardo Cadoca
O partido é da base de apoio do governo estadual e já declarou que ele será o nome para a disputa

PSD - André de Paula
Presidente do partido criado em 2011, é da base do governo estadual. A candidatura daria visibilidade a ele e ao partido

PP - Eduardo da Fonte
Segundo deputado federal mais votado no estado, desde o final do ano passado tem trabalhado inserções na TV divulgando sua atuação

PRTB - Celso Muniz
Ainda não é consenso em torno do nome que representará o partido. Além de Muniz, podem ser candidatos Germana Lacerda e o pastor Ednásio Silva

Apesar do risco de terem que recolher a viola e colocá-la no saco, várias lideranças de partidos que integram a Frente Popular manifestam o desejo de disputar o pleito, em outubro.

Todos se movem pelo conceito de que a postulação do atual prefeito, João da Costa (PT), está enfraquecida por causa do racha com o deputado federal João Paulo, seu antigo padrinho político.

A tendência é que o governador Eduardo Campos encerre a contenda, manifestando o apoio a um dos postulantes.

Apesar disso, segundo ele próprio, caberá primeiramente ao PT buscar a unidade na Frente Popular. Caso não consiga…

Fonte: Diario de Pernambuco

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