O pesadelo de Seu Severino
Há cinco dias, o encanador Severino Antero Alves, 63 anos, reconquistou a liberdade. Mas, ao fechar os olhos, todas as noites, diz ter a visão do que é o inferno. O trauma é explicável. Na tarde do dia 5, ele descansava após o almoço quando dois policiais entraram em sua residência, no bairro de Jardim Atlântico, em Olinda, e afirmaram que ele seria preso por um assassinato cometido na Paraíba em 1999. O encanador sabia que era inocente. Mas as coincidências eram muitas: o nome completo dele, do pai, José Antero Alves, e a data de nascimento (15 de outubro de 1948) eram idênticas ao do foragido. A polícia só não atentou para dois detalhes: o nome da mãe e a cidade natal eram diferentes. O que para a Justiça já provava a inocência de Severino.
Mesmo afirmando não ser a pessoa que a polícia procurava, o idoso foi levado para a Delegacia Seccional da Boa Vista. Após os procedimentos de praxe, foi encaminhado ao Presídio Professor Aníbal Bruno, conforme exigência judicial. Segundo ele, foram 20 dias de terror até que o pedido de relaxamento de prisão fosse analisado pela juíza Maria Segunda Gomes, da Comarca de Olinda. Na quarta passada, o erro foi reparado após sua esposa e seu chefe se mobilizarem, contratarem um advogado para que fosse solto.
“Pesquisamos nos bancos de dados e constatamos que a pessoa presa não correspondia à indicada por mandado de prisão. A mãe dele é Maria José de Lima. Ele nasceu na cidade de Goiana. A mãe do responsável pelo homicídio é Maria Ribeiro Alves. O outro nasceu em Areias, na Paraíba”, explicou a magistrada. De acordo com ela, a dúvida foi tirada por meio do sistema do Tribunal Regional Eleitoral. “O título de eleitor provou que o nome da mãe era diferente. Ele não podia ter sido preso pela polícia”, disse. A assessoria da Polícia Civil afirmou que a Delegacia da Boa Vista vai analisar hoje o procedimento. Só então deve se pronunciar sobre o erro.
“Sabe o que é um inferno? Estava nele.” As palavras são de Seu Severino, como é conhecido. Segundo ele, desde que foi preso, as noites de sono se resumem a pesadelos. Não é para menos. Diabético, foi levado para um dos piores presídios da América Latina. Nos primeiros dias, no setor de espera, conviveu com cerca de 70 homens presos por cometerem os mais diversos crimes. Foi humilhado. “Dormia no chão, comia mal. Eles não tinham respeito”, contou. Quando chegou ao pavilhão G, onde passou cerca de dez dias, passou a conviver numa cela com 11 criminosos. “Um lugar sujo, apertado. A gente não conseguia ficar muito tempo lá. Um dia, os presos usaram uma droga. Passei muito mal com o cheiro”, descreveu. Severino trabalhava como encanador nas celas dos colegas de pavilhão. “Se não, iria endoidar.”
No dia em que foi solto, comemorou com a mulher, Rizalva da Silva, com quem vive há 30 anos, e com o filho, Diogo Alves, 18. “Vou processar o estado por danos morais. Quem me conhece, sabe que sou honesto. Meu sonho é mostrar a todos que sou inocente.” Ontem, após entrevista ao Diario, correu para resolver um problema de encanamento na casa de um cliente. A rotina voltou ao normal. Mas, ficou o trauma. A pior das prisões.
Foram 20 dias no Aníbal Bruno até o encanador conseguir provar que havia sido preso por engano
Há cinco dias, o encanador Severino Antero Alves, 63 anos, reconquistou a liberdade. Mas, ao fechar os olhos, todas as noites, diz ter a visão do que é o inferno. O trauma é explicável. Na tarde do dia 5, ele descansava após o almoço quando dois policiais entraram em sua residência, no bairro de Jardim Atlântico, em Olinda, e afirmaram que ele seria preso por um assassinato cometido na Paraíba em 1999. O encanador sabia que era inocente. Mas as coincidências eram muitas: o nome completo dele, do pai, José Antero Alves, e a data de nascimento (15 de outubro de 1948) eram idênticas ao do foragido. A polícia só não atentou para dois detalhes: o nome da mãe e a cidade natal eram diferentes. O que para a Justiça já provava a inocência de Severino.Mesmo afirmando não ser a pessoa que a polícia procurava, o idoso foi levado para a Delegacia Seccional da Boa Vista. Após os procedimentos de praxe, foi encaminhado ao Presídio Professor Aníbal Bruno, conforme exigência judicial. Segundo ele, foram 20 dias de terror até que o pedido de relaxamento de prisão fosse analisado pela juíza Maria Segunda Gomes, da Comarca de Olinda. Na quarta passada, o erro foi reparado após sua esposa e seu chefe se mobilizarem, contratarem um advogado para que fosse solto.
“Pesquisamos nos bancos de dados e constatamos que a pessoa presa não correspondia à indicada por mandado de prisão. A mãe dele é Maria José de Lima. Ele nasceu na cidade de Goiana. A mãe do responsável pelo homicídio é Maria Ribeiro Alves. O outro nasceu em Areias, na Paraíba”, explicou a magistrada. De acordo com ela, a dúvida foi tirada por meio do sistema do Tribunal Regional Eleitoral. “O título de eleitor provou que o nome da mãe era diferente. Ele não podia ter sido preso pela polícia”, disse. A assessoria da Polícia Civil afirmou que a Delegacia da Boa Vista vai analisar hoje o procedimento. Só então deve se pronunciar sobre o erro.
“Sabe o que é um inferno? Estava nele.” As palavras são de Seu Severino, como é conhecido. Segundo ele, desde que foi preso, as noites de sono se resumem a pesadelos. Não é para menos. Diabético, foi levado para um dos piores presídios da América Latina. Nos primeiros dias, no setor de espera, conviveu com cerca de 70 homens presos por cometerem os mais diversos crimes. Foi humilhado. “Dormia no chão, comia mal. Eles não tinham respeito”, contou. Quando chegou ao pavilhão G, onde passou cerca de dez dias, passou a conviver numa cela com 11 criminosos. “Um lugar sujo, apertado. A gente não conseguia ficar muito tempo lá. Um dia, os presos usaram uma droga. Passei muito mal com o cheiro”, descreveu. Severino trabalhava como encanador nas celas dos colegas de pavilhão. “Se não, iria endoidar.”
No dia em que foi solto, comemorou com a mulher, Rizalva da Silva, com quem vive há 30 anos, e com o filho, Diogo Alves, 18. “Vou processar o estado por danos morais. Quem me conhece, sabe que sou honesto. Meu sonho é mostrar a todos que sou inocente.” Ontem, após entrevista ao Diario, correu para resolver um problema de encanamento na casa de um cliente. A rotina voltou ao normal. Mas, ficou o trauma. A pior das prisões.
Fonte: Diario de Pernambuco
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