Quando vale estagiar de graça
Embora a experiência profissional adquirida seja, em teoria, a motivação principal de um estágio, o estudante não pode negar: a remuneração financeira acaba influenciando bastante na hora de escolher a que vagas se candidatar. Mas em que circunstâncias vale a pena abrir mão do dinheiro em nome de uma experiência gratificante no mercado de trabalho? Se o estudante considerar que as tarefas a serem desempenhadas no estágio irão torná-lo mais apto como profissional no futuro, a remuneração será apenas um detalhe. O coordenador do curso de administração da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Pierre Lucena, não vê problema em estagiar de graça. “A bolsa do estágio é um auxílio importante na renda do estudante, mas o objetivo maior de um estágio é inserir o aluno dentro do mercado de trabalho e é esse aspecto que deve ser levado mais em conta”, opina.
O coordenador também dá uma dica importante: os universitários devem desconfiar de empresas que oferecem remuneração muito altas. Segundo Lucena, é comum que nesse tipo de estágio os estudantes acabem realizando funções apenas burocráticas, aprendendo pouco. “É que, contratando estagiários ao invés de funcionários. as empresas economizam, já que não têm que pagar os impostos referentes aos trabalhadores com carteira assinada”, explica.
Bons exemplos de estágios que não dão dinheiro mas dão uma boa experiência do mercado de trabalho são as empresas-júnior, estruturas empresariais formadas por alunos de cursos como administração e economia. Nesse tipo de iniciativa, os alunos ficam responsáveis pela gestão da empresa e desempenham serviços ao mercado sob orientação dos professores. Tudo sem receber.
O presidente da empresa-júnior da UFPE, a ACE Consultoria, Otávio Teixeira, se interessou em participar do projeto mesmo sem receber porque, de acordo com ele, não há experiências semelhantes no mercado de trabalho. “Aqui a gente pode sentir na pele como é a gestão de uma empresa. Em que outro estágio eu teria uma oportunidade como essa?”, defende.
Fonte: Diario de Pernambuco
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