Prova de sangue
Projeto de lei em tramitação exige exame antidoping, nos padrões olímpicos, para os concurseiros
Concurso público tem todo tipo de prova e, para cada uma delas, alguma droga é utilizada por aqueles que querem exigir do corpo mais do que é possível cobrar. Para estudar os conteúdos extensos, por exemplo, há quem faça uso de substâncias como a ritalina. Agora, se o Projeto de Lei nº 318/10 for aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, os concurseiros que realizam provas físicas passarão pelo crivo do exame antidoping, nos padrões utilizados em competições olímpicas. A proposta do PL é acrescentar parágrafo único ao artigo 11 da Lei nº 8.112/90 (regime jurídico dos servidores públicos federais).
De acordo com o procurador e advogado em direito administrativo Ademar Borges, a mudança só deve acrescentar pontos positivos nos concursos e no próprio serviço público. “Se o órgão precisa de um candidato que seja capaz de realizar as atividades físicas que exijam mais esforço, não é de se estranhar que eles queiram que essa pessoa demonstre sua real condição física no dia da prova”, defende. Mas, segundo ele, existe um porém: é necessário que os organizadores dos certames repensem determinados critérios de avaliação. “Acredito que exista um certo exagero em alguns concursos em relação ao nível de exigência que se tem feito aos candidatos. Querer o esforço de um atleta deve ocorrer só para cargos que realmente necessitem disso”, aponta o advogado.
As provas de concursos não militares geralmente têm etapas mais simplificadas. Os candidatos do sexo masculino precisam correr 2,2 km em 12 minutos, além de fazer testes de barra e flexão. As mulheres fazem os mesmos exercícios, mas em menor quantidade. De acordo com a professora de educação física na Universidade de Brasília (UnB) Keila Fontana, a busca pela automedicação parte daqueles que não se prepararam com antecedência: “Não é necessário fazer isso, porque esses remédios só aceleram um pouco o metabolismo e dão à pessoa a condição mínima para passar em um concurso. É claro que quem tiver treinamento terá chances de ir bem na prova. O ideal é se preparar antes da publicação do edital”.
A automedicação nos casos de doping leva a resultados que nem sempre são os esperados pelos usuários. Um exemplo citado pela professora Keila é o dos anabolizantes: os músculos crescem muito rápido, mas os outros tecidos, como os ligamentos, não acompanham esse desenvolvimento. “Pode ser que a pessoa estoure uma veia, rompa um tendão. Não há tempo para os tecidos auxiliares crescerem”, expõe. Se o cargo exigir esforço físico igual ou maior que aquele cobrado na prova, o candidato tem que estar preparado para essa carreira. “Quer ser policial sentado em uma mesa? Vai ter que correr atrás de criminosos em algum momento. Quem tenta atingir esse padrão de maneira ilícita terá problemas tardios”, avisa a docente.
Embora tenham má fama, os hormônios para crescimento muscular e estímulo aeróbico nem sempre são os vilões da história. De acordo com o endocrinologista Tércio Rocha, se essas drogas forem administradas por um médico para um paciente com problemas de saúde, não devem fazer mal. Mas é bom sublinhar que elas devem ser ingeridas na medida certa. “Se usadas de forma correta, as doses melhoram muito a performance física e mental. Mas tem que procurar orientação adequada. Isso não depende só do peso, da idade e da altura, mas também se essa pessoa precisa mesmo dessas substâncias”, alerta. Segundo o médico, se tomar longe do controle de um profissional, é possível que a pessoa tenha câncer de fígado e atrofia dos testículos ou das glândulas mamárias, entre outros problemas.
No caso de quem usa esses remédios por necessidade, o endocrinologista recomenda ter todos os documentos necessários à mão: “A partir do momento em que o paciente estiver realmente precisando, terá o exame de sangue e a carta do médico, que atestam a necessidade e não devem ser questionados”. De acordo com o advogado Ademar Borges, o direito de realizar a prova deve ser garantido a todos os candidatos, mas o ideal é aparecer no dia do teste com a papelada pronta para análise. “Se a pessoa tem evidências de que faz uso dessa medicação, ela certamente terá garantidos os direitos de fazer tratamentos de saúde e de assumir cargos públicos”, assegura. (Do Correio Braziliense)
De acordo com o procurador e advogado em direito administrativo Ademar Borges, a mudança só deve acrescentar pontos positivos nos concursos e no próprio serviço público. “Se o órgão precisa de um candidato que seja capaz de realizar as atividades físicas que exijam mais esforço, não é de se estranhar que eles queiram que essa pessoa demonstre sua real condição física no dia da prova”, defende. Mas, segundo ele, existe um porém: é necessário que os organizadores dos certames repensem determinados critérios de avaliação. “Acredito que exista um certo exagero em alguns concursos em relação ao nível de exigência que se tem feito aos candidatos. Querer o esforço de um atleta deve ocorrer só para cargos que realmente necessitem disso”, aponta o advogado.
As provas de concursos não militares geralmente têm etapas mais simplificadas. Os candidatos do sexo masculino precisam correr 2,2 km em 12 minutos, além de fazer testes de barra e flexão. As mulheres fazem os mesmos exercícios, mas em menor quantidade. De acordo com a professora de educação física na Universidade de Brasília (UnB) Keila Fontana, a busca pela automedicação parte daqueles que não se prepararam com antecedência: “Não é necessário fazer isso, porque esses remédios só aceleram um pouco o metabolismo e dão à pessoa a condição mínima para passar em um concurso. É claro que quem tiver treinamento terá chances de ir bem na prova. O ideal é se preparar antes da publicação do edital”.
A automedicação nos casos de doping leva a resultados que nem sempre são os esperados pelos usuários. Um exemplo citado pela professora Keila é o dos anabolizantes: os músculos crescem muito rápido, mas os outros tecidos, como os ligamentos, não acompanham esse desenvolvimento. “Pode ser que a pessoa estoure uma veia, rompa um tendão. Não há tempo para os tecidos auxiliares crescerem”, expõe. Se o cargo exigir esforço físico igual ou maior que aquele cobrado na prova, o candidato tem que estar preparado para essa carreira. “Quer ser policial sentado em uma mesa? Vai ter que correr atrás de criminosos em algum momento. Quem tenta atingir esse padrão de maneira ilícita terá problemas tardios”, avisa a docente.
Embora tenham má fama, os hormônios para crescimento muscular e estímulo aeróbico nem sempre são os vilões da história. De acordo com o endocrinologista Tércio Rocha, se essas drogas forem administradas por um médico para um paciente com problemas de saúde, não devem fazer mal. Mas é bom sublinhar que elas devem ser ingeridas na medida certa. “Se usadas de forma correta, as doses melhoram muito a performance física e mental. Mas tem que procurar orientação adequada. Isso não depende só do peso, da idade e da altura, mas também se essa pessoa precisa mesmo dessas substâncias”, alerta. Segundo o médico, se tomar longe do controle de um profissional, é possível que a pessoa tenha câncer de fígado e atrofia dos testículos ou das glândulas mamárias, entre outros problemas.
No caso de quem usa esses remédios por necessidade, o endocrinologista recomenda ter todos os documentos necessários à mão: “A partir do momento em que o paciente estiver realmente precisando, terá o exame de sangue e a carta do médico, que atestam a necessidade e não devem ser questionados”. De acordo com o advogado Ademar Borges, o direito de realizar a prova deve ser garantido a todos os candidatos, mas o ideal é aparecer no dia do teste com a papelada pronta para análise. “Se a pessoa tem evidências de que faz uso dessa medicação, ela certamente terá garantidos os direitos de fazer tratamentos de saúde e de assumir cargos públicos”, assegura. (Do Correio Braziliense)

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