quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Solidariedade

Natal para pequenos do GAC


Ramón da Silva, 14 anos, viveu ontem o seu dia de fama. Concedeu entrevistas à redes de televisão e jornais. Não poupou sorriso. Ramón tem câncer de tecido na coxa e concluiu o tratamento há duas semanas. Este será o seu primeiro Natal em casa, após a reabilitação. “É preciso viver a vida, aproveitar as oportunidades, ser esperançoso. É muito bom ter um dia de famoso”, falou. O garoto mora em Panelas, no Agreste, e participou da festa de Natal do Grupo de Ajuda à Criança Carente com Câncer (GAC). Quando crescer, o menino quer se tornar médico pediatra. Hoje, se apega à fé para afastar o fantasma da doença. Usa um terço no pulso.

A festa do GAC reuniu 200 pacientes com vários tipos de câncer. Ramón foi um deles. A comemoração de fim de ano se assemelhou a um Dia das Crianças. A manhã de alegria contou com carrocinhas de algodão doce, pipoca e churros, bolo, parque de diversão com escorregador inflável e piscina de bolinhas, e até música eletrônica. Papai e Mamãe Noel chegaram de helicóptero. “A festa é a mais esperada do ano por todos os pacientes. Representa um momento de grande socialização”, acrescentou a coordenadora do GAC, Etiene Brito. As crianças também brincaram num trenzinho.

Hoje, será a vez dos 25 pacientes internados ganharem uma festa de Natal parecida. “Gostei mais do Papai Noel pois recebi presente”, disse Luciano Silva, 10.

A maioria das crianças atendidas pela ONG possui leucemia, câncer no sangue. O tipo da doença acomete cerca de 30% dos pacientes e tem 75% de índice de cura. Seus sintomas são mais agudos e a apresentação da doença é mais agressiva. O tratamento se estende por dois anos e meio. O segundo mais frequente é o linfoma, que atinge os gânglios. “A alegria melhora a imunidade. Tudo que libera a serotonina é importante para os pacientes”, disse a médica Vera Morais. 

 O grupo foi fundado em março de 1997 e atende, em média, 70 pacientes por dia, de todos os municípios do estado e também de fora de Pernambuco.  O GAC funciona no Hospital Oswaldo Cruz, em Santo Amaro, e dá suporte ao tratamento oferecido pela unidade, garantindo exames e fornecendo medicamentos. A organização sobrevive de doações feitas pela população. Hoje, o estoque de alimentos está baixo. Por mês, o centro de coleta da entidade recebe 200 quilos de alimentos por mês, no entanto o ideal seria 300 quilos. Por dia, 140 refeições são servidas.

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